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O erro da semana

Subiu 20%, desceu 20%. Voltou ao início?

100 passa a 120 e depois a 96. Descobre por que subir e descer a mesma percentagem não se anula, com exemplos, desenhos e um desafio.

Equipa ExplicaJá6 min de leitura

Uma aluna e a Explica acompanham 100 pontos a passar para 120 com um aumento de 20% e depois para 96 com uma redução de 20%.
Uma aluna e a Explica acompanham 100 pontos a passar para 120 com um aumento de 20% e depois para 96 com uma redução de 20%.

Tens 100 pontos num jogo, ganhas 20% e depois perdes 20%. Parece uma viagem de ida e volta. Os pontos, porém, não regressam todos a casa.

O segundo 20% já está a olhar para outro número

Começa pelos 100 pontos. Vinte por cento significa vinte em cada cem: 20% de 100 são 20 pontos. Somando o ganho, ficas com 120. Até aqui, a conta e a intuição costumam dar-se bem.

Agora perdes 20% dos pontos que tens nesse momento. Tens 120, não 100. Calculas 120 × 0,20 = 24 e retiras esses 24: 120 − 24 = 96. A perda foi maior do que o ganho, apesar de as duas taxas serem iguais.

O engano não está necessariamente na multiplicação. Pode estar na frase que imaginaste: trataste «perder 20%» como «devolver os 20 pontos que ganhei». Uma percentagem indica uma relação com uma quantidade; não guarda um número fixo de pontos no bolso.

Antes de escrever cada operação, completa a frase «vou calcular 20% de...». Se o número que vem a seguir mudou, a quantidade correspondente à percentagem também pode mudar. Este pequeno hábito encontra o problema antes de a calculadora receber instruções erradas.

Experimenta, 20 segundosComeças com 50 pontos, ganhas 20% e perdes 20% do novo total. Acabas com 50?Ver a resposta

Não. Ganhas 10 e chegas a 60; depois perdes 12. Acabas com 48 pontos, porque a segunda percentagem incidiu sobre 60.

A Explica meteu-se na conversaEu também gosto de finais felizes. Mas não posso convencer os 96 pontos a fingirem que são 100.

Desenha duas barras, mas não lhes troques a escala

Desenha uma barra de 100 pontos e acrescenta um quinto dessa barra, ou seja, 20 pontos. O comprimento total passa a representar 120. Mantém a mesma escala: se dez pontos ocupavam um quadrado, devem continuar a ocupar um quadrado.

Divide agora o comprimento total em cinco partes iguais. Cada uma representa um quinto de 120, isto é, 24 pontos. Retirar uma dessas partes deixa quatro partes de 24: 96. A imagem mostra o que a frase escondia: a segunda fatia é maior.

Não desenhes as duas barras com o mesmo comprimento e escrevas apenas números diferentes por baixo. Isso pode esconder precisamente a diferença que procuras compreender. Se preferires uma tabela, usa três linhas: início, depois do aumento e depois da redução, com a quantidade de referência em cada uma.

Também podes ligar percentagens e frações. Vinte por cento são 20/100 = 1/5. Calcular um quinto de 100 ou um quinto de 120 continua a ser a mesma operação sobre quantidades diferentes. O desenho, a fração e a conta devem contar a mesma história.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

Spitzer, Ruiz-Garcia e Moeller analisaram dados de 2798 alunos numa plataforma de exercícios. O desempenho com frações e outras competências matemáticas ajudava a prever o desempenho com percentagens. É uma relação observada nos dados, não uma prova de que este desenho, sozinho, melhora as notas.

As Aprendizagens Essenciais de Matemática do 7.º ano incluem problemas de percentagens em contextos do quotidiano. Usamos esse enquadramento curricular para ligar uma situação familiar à explicação da quantidade de referência.

30 segundos. A tua vez.Sem nota, sem cronómetro

Começas com 200 pontos, ganhas 10% e depois perdes 10% do novo total. Quantos pontos ficam?

Sem pressa. Eu espero, sou muito boa nisso.

No quadro, a Explica fica com o exercício escrito e espera que carregues em enviar. Há minutos grátis de tempo activo da Explica para experimentar.

Para desfazer uma mudança, procura a operação inversa

Há uma maneira curta de registar a primeira viagem. Aumentar 20% é conservar o total e acrescentar 0,20 desse total: multiplicar por 1,20. Reduzir 20% é conservar 0,80 do total: multiplicar por 0,80. Assim, 100 × 1,20 × 0,80 = 96.

O produto dos dois fatores é 0,96, não 1. Por isso, com estas duas mudanças sucessivas, conservas 96% da quantidade inicial. A ordem dos dois fatores não altera este resultado numérico; o importante é aplicar cada taxa ao total que existe nessa etapa.

Para desfazer um aumento de 20%, divides o novo valor por 1,20. No nosso exemplo, 120 ÷ 1,20 = 100. A redução necessária é de 20 pontos sobre os 120 atuais, o que corresponde a cerca de 16,67%, não a 20%.

Se esta forma de escrever ainda for nova, volta às quantidades concretas. Não precisas de decorar a percentagem que desfaz todas as outras. Primeiro identifica o ponto de partida, escreve a transformação e pergunta qual é a operação que realmente a inverte.

Experimenta, 20 segundosUm total desceu de 100 para 80. Basta aumentar 20% para voltar a 100?Ver a resposta

Não. Vinte por cento de 80 são 16, e chegarias a 96. Para ganhar os 20 pontos em falta precisas de aumentar 25% de 80.

Cinco pontos percentuais não são sempre cinco por cento

Imagina que, numa turma, a percentagem de alunos que escolheu uma atividade passou de 25% para 30%. A diferença entre essas duas taxas é de cinco pontos percentuais. Estás a comparar os números que aparecem antes do símbolo de percentagem.

Se quiseres saber o aumento relativo dessa taxa, a pergunta é diferente. A taxa inicial era 25 e cresceu cinco: 5 ÷ 25 = 0,20. Houve um aumento relativo de 20%. As duas descrições podem estar certas, mas respondem a perguntas diferentes.

Não é preciso transformar cada notícia numa ficha de contas. Basta desconfiar de uma frase incompleta. Quando lês «aumentou cinco», procura a unidade: cinco alunos, cinco pontos percentuais ou cinco por cento? Sem ela, ainda não sabes exatamente o que foi comparado.

Este cuidado também ajuda num teste. Sublinhar a quantidade de referência não é uma decoração dos apontamentos. É uma decisão sobre o significado da operação. Duas contas com a mesma aparência podem estar a responder a questões que o enunciado nunca colocou.

Leva a dúvida certa para o quadro

No ExplicaJá, podes pedir que a resolução mostre os 100% de cada etapa e desenhe barras à mesma escala. Em vez de pedir apenas a resposta, pede para explicar por que a segunda multiplicação usa um número diferente da primeira. A pergunta aponta diretamente à dificuldade.

Depois tenta um exemplo com outros valores e conta a história em voz alta. Comecei com esta quantidade, apliquei esta taxa, o total mudou e a taxa seguinte incidiu sobre o novo total. Se consegues dizer isto e justificar os números, já tens mais do que uma sequência decorada.

Se aparecer um resultado inesperado, regressa à linha anterior e verifica a quantidade de referência. Não apagues imediatamente a tentativa. Um 100 onde devia estar 120 mostra exatamente onde o raciocínio mudou de caminho, e dá um bom ponto de partida para a explicação.

O objetivo não é nunca cair numa armadilha. É ganhar uma pergunta que funcione da próxima vez: percentagem de quê? Ela serve num problema de pontos, numa comparação de resultados ou numa tabela. A taxa pode ser igual; a quantidade a que se aplica é que manda na conta.

Perguntas frequentes

Aumentar e diminuir a mesma percentagem dá sempre menos?

Para uma quantidade inicial positiva e taxas sucessivas iguais entre 0% e 100%, sim: os fatores são 1 + r e 1 − r, cujo produto é 1 − r², inferior a 1 quando r é diferente de zero.

Como sei qual é o valor que representa os 100%?

Leia a frase completa de cada etapa e identifique a quantidade sobre a qual a taxa incide. Numa mudança sucessiva, costuma ser o total obtido na etapa anterior, salvo indicação diferente do enunciado.

Posso resolver sem decorar uma fórmula nova?

Sim. Pode calcular o ganho ou a perda em cada etapa, atualizar o total e só depois aplicar a mudança seguinte. A escrita com fatores é uma forma mais curta de registar esse mesmo raciocínio.

De onde vem o que dissemos

  1. Spitzer, M. W. H., Ruiz-Garcia, M., & Moeller, K. (2025). Basic mathematical skills and fraction understanding predict percentage understanding: Evidence from an intelligent tutoring system. British Journal of Educational Technology, 56(3), 1122–1147.Estudo observacional sobre relações entre competências com frações e percentagens; fundamenta a sugestão de rever significados anteriores sem prometer um efeito causal.
  2. Direção-Geral da Educação (2021). Aprendizagens Essenciais de Matemática, 7.º ano.Enquadra os problemas de percentagens no quotidiano e a utilização de representações para explicar o raciocínio; é uma referência curricular, não um estudo de eficácia.

No currículo: Matemática, 7.º ano. Percentagens em situações do quotidiano.

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