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Ainda não sabes? Arrisca antes da explicação.

Uma tentativa antes da explicação, mesmo errada, ajuda a aprender, desde que a resposta certa venha logo a seguir. Vê como fazer com 2(x + 3) = 14.

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Um aluno escreve 2(x + 3) = 14 no quadro, com um ponto de interrogação por baixo, e pensa no primeiro passo; a Explica espreita ao lado.
Um aluno escreve 2(x + 3) = 14 no quadro, com um ponto de interrogação por baixo, e pensa no primeiro passo; a Explica espreita ao lado.

Aparece uma equação nova e a primeira vontade é pedir: «mostra lá como se faz». É compreensível, mas há outra forma de começar, que custa trinta segundos e rende mais do que parece. Antes de veres a resolução, arrisca o primeiro passo.

Posso tentar uma coisa que ainda não aprendi?

Podes, e não precisas de acertar. Em vez de «mostra como se faz», começa com uma pergunta mais pequena: «qual seria o meu primeiro passo?». Não tens de entregar uma resolução perfeita. Uma hipótese já dá um ponto de partida para a conversa.

Pega em 2(x + 3) = 14. Achas que o primeiro passo é dividir por 2, desfazer o parêntese ou subtrair 3? Escreve a tua escolha e uma razão, mesmo curta, antes de abrires a resolução. Só depois comparas.

O que muda é a forma como lês a explicação a seguir. Já não estás só a seguir as linhas de outra pessoa: estás à procura da resposta a uma pergunta que tu fizeste. É uma diferença pequena na atitude e, pelo que mostram os estudos, também no que fica.

Experimenta, 20 segundosAntes de leres a próxima secção: qual é o teu primeiro passo em 5(x − 1) = 20? Escolhe e diz porquê.Ver a resposta

Há dois caminhos certos. Dividir os dois membros por 5 dá x − 1 = 4, logo x = 5. Distribuir dá 5x − 5 = 20, logo 5x = 25 e x = 5. O caminho que não serve é somar 1 logo de início, porque o −1 está preso dentro do parêntese.

A Explica meteu-se na conversaPodes trazer uma hipótese meio despenteada. Depois tratamos dos parênteses. E do penteado, se sobrar tempo.

A parte importante vem depois da tentativa

Na nossa equação, dividir os dois membros por 2 dá x + 3 = 7. Subtrair 3 aos dois membros dá x = 4. Confirmação na equação de partida: 2(4 + 3) = 2 × 7 = 14.

Desfazer o parêntese também funciona: 2x + 6 = 14, logo 2x = 8 e x = 4. Os dois caminhos chegam ao mesmo sítio porque ambos mantêm a igualdade. Se escolheste um deles, a tua hipótese estava certa, mesmo que ainda não soubesses explicar porquê.

Se escreveste 2x + 3 = 14, a dúvida ficou localizada: o 2 multiplica o x e também o 3. É esse passo, e só esse, que merece uma explicação. Não precisas de copiar cinco linhas para esconder a passagem que te escapou.

Repara que a tentativa errada não foi tempo perdido. Mostrou exatamente onde estava o equívoco, coisa que uma resolução copiada nunca mostra.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

Nate Kornell, Matthew Hays e Robert Bjork (2009) fizeram seis experiências com perguntas de cultura geral inventadas e pares de palavras. Uns participantes tentavam responder antes de ver a resposta; outros viam a pergunta e a resposta juntas, durante mais tempo. Tentar primeiro melhorou a recordação no fim, mesmo quando a tentativa tinha falhado.

Lindsey Richland e colegas (2009) levaram a ideia para um texto de ciências sobre a visão. Quem respondia a perguntas antes de ler o texto lembrava-se melhor no teste final do que quem tinha mais tempo para o ler, mesmo nas perguntas que tinha errado no início. Nenhum destes estudos usou equações: aplicar a ideia à Álgebra é uma sugestão nossa.

30 segundos. A tua vez.Sem nota, sem cronómetro

Em 3(x + 2) = 21, depois de dividir os dois membros por 3, o que fica?

Sem pressa. Eu espero, sou muito boa nisso.

No quadro, a Explica fica com o exercício escrito e espera que carregues em enviar. Há perguntas grátis para experimentar.

Errar sem resposta certa é outra história

Há uma condição que não pode faltar: a explicação correta tem de vir logo a seguir. Nos estudos, a resposta aparecia sempre depois da tentativa. Adivinhar sozinho, sem nunca saber se acertaste, não é a mesma coisa e pode até deixar o erro instalado.

Também não vale ficar bloqueado indefinidamente. Se ao fim de um minuto não tens nenhuma ideia, pede uma pista pequena. A tentativa é para pôr a cabeça a trabalhar, não para te pôr à prova.

E se a matéria for completamente nova, sem nada a que te agarrares, começa por aprender o conceito com apoio. Arriscar funciona melhor quando há alguma coisa para arriscar.

Repara também na diferença entre arriscar e adivinhar. Arriscar é escolher um passo e dar uma razão, mesmo insegura. Adivinhar é atirar um número para ver se pega. O primeiro mostra o teu raciocínio e deixa quem te ajuda trabalhar com ele; o segundo não mostra nada.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

A revisão de Janet Metcalfe (2017) sobre aprender com os erros vai no mesmo sentido: cometer erros em situações de baixo risco ajuda a aprender quando a correção vem a seguir. O que faz a diferença é o feedback, e não o erro sozinho.

Uma experiência pequena para a próxima aula

Antes de pedires a resposta, diz o que pensas e acrescenta uma razão: «acho que começo por dividir por 2, porque está a multiplicar o parêntese». À Explica, a um professor ou a um colega, esta frase poupa minutos de explicação desnecessária.

Depois da explicação, volta à tua hipótese e assinala o que mudou. Se acertaste, diz porquê. Se erraste, escreve a correção ao lado, não por cima. A tentativa original é a parte mais útil da página.

Por fim, experimenta uma equação parecida, com outros números. É aí que vês se a explicação ficou ou se só a acompanhaste.

Se estudares sozinho, o livro serve de professor: tapa a resolução, escreve o teu primeiro passo e só então destapa. Funciona com equações, com problemas de Física e até com perguntas de interpretação em Português.

Experimenta, 20 segundosUma parecida: 4(x − 2) = 12. Arrisca o primeiro passo e depois resolve.Ver a resposta

Dividir por 4 dá x − 2 = 3, logo x = 5. Distribuir dá 4x − 8 = 12, logo 4x = 20 e x = 5. Confirmação: 4(5 − 2) = 4 × 3 = 12.

Uma primeira resposta não é um veredicto

«Ainda não sei» é uma informação útil para quem ajuda. Não é uma definição de quem tu és. Uma tentativa incompleta abre uma boa conversa, desde que haja orientação e correção logo a seguir.

Com o tempo, este hábito muda a forma como chegas a uma matéria nova. Em vez de esperares que alguém te mostre tudo, chegas com uma hipótese, e a explicação passa a ser uma resposta e não um monólogo.

E há um ganho que não aparece nos testes: deixas de ter medo da página em branco. Quem está habituado a arriscar um primeiro passo começa mais depressa, pede ajuda mais cedo e perde menos tempo a olhar para o enunciado à espera de inspiração.

Perguntas frequentes

Vale a pena tentar resolver antes de saber a matéria?

Vale, desde que a explicação correta venha logo a seguir. Estudos com perguntas de cultura geral e com um texto de ciências mostraram que tentar primeiro, mesmo falhando, ajuda a recordar mais no fim do que estudar só a resposta.

E se a minha tentativa estiver errada?

É melhor do que não tentar, desde que confirmes a resposta certa depois. A tentativa errada mostra onde estava o equívoco e torna a explicação mais fácil de perceber e de lembrar.

Quanto tempo devo tentar antes de pedir ajuda?

Pouco. Um a dois minutos chegam para pensar no primeiro passo. Se não tiveres nenhuma ideia, pede uma pista pequena em vez de ficares bloqueado: a tentativa serve para começar, não para sofrer.

Como se resolve 2(x + 3) = 14?

Dividem-se os dois membros por 2, x + 3 = 7, e subtrai-se 3, x = 4. Também se pode distribuir primeiro: 2x + 6 = 14, 2x = 8 e x = 4. Confirmação: 2(4 + 3) = 14.

De onde vem o que dissemos

  1. Kornell, N., Hays, M. J., & Bjork, R. A. (2009). Unsuccessful retrieval attempts enhance subsequent learning. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 35(4), 989–998.Seis experiências com perguntas de cultura geral e pares de palavras em que tentar responder antes de ver a resposta melhorou a recordação, mesmo quando a tentativa falhou.
  2. Richland, L. E., Kornell, N., & Kao, L. S. (2009). The pretesting effect: Do unsuccessful retrieval attempts enhance learning? Journal of Experimental Psychology: Applied, 15(3), 243–257.Mostra o mesmo efeito com um texto de ciências: perguntas antes da leitura melhoraram o teste final, mesmo nas que tinham sido erradas; usamos na caixa da investigação.
  3. Metcalfe, J. (2017). Learning from errors. Annual Review of Psychology, 68, 465–489.Revisão que conclui que errar em situações de baixo risco ajuda quando há correção a seguir; usamos para explicar porque a resposta certa não pode faltar.

No currículo: Matemática, 8.º ano. Equações do 1.º grau.

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