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Não sei o que perguntar. E agora?

«Não percebo nada» pode ser o início da conversa. Vê como transformar uma dúvida vaga numa pergunta concreta que alguém consiga responder.

Equipa ExplicaJá5 min de leitura

Um aluno pensativo rodeia o +6 em 2x + 6 = 14, por baixo de 2(x + 3) = 14, com um ponto de interrogação e a linha seguinte por escrever.
Um aluno pensativo rodeia o +6 em 2x + 6 = 14, por baixo de 2(x + 3) = 14, com um ponto de interrogação e a linha seguinte por escrever.

O exercício está à tua frente, leste o enunciado duas vezes e a única frase que te ocorre é «não percebo nada». É uma frase honesta, e podes começar por ela. Este artigo é sobre o passo seguinte: transformá-la numa pergunta que alguém consiga mesmo responder.

Às vezes, a dúvida ainda não tem nome

Não sabes se a dificuldade está na fórmula, na conta ou na escolha do primeiro passo. Quando tudo parece igualmente confuso, é natural achar que o problema é a matéria toda. Quase nunca é.

Não tens de chegar à aula com a dúvida perfeitamente arrumada. Mas vale a pena abrir o exercício e procurar um ponto concreto. O que me pedem? Que dados tenho? Qual é a primeira linha que consigo escrever, mesmo sem saber se está certa?

Essa primeira linha vale ouro. Mostra até onde chegaste e onde paraste, e é exatamente essa informação que quem te ajuda precisa para não começar do zero.

Uma dúvida vaga também tem utilidade: diz que precisas de ajuda. Só que, sozinha, deixa quem te ajuda sem saber por onde pegar, e a conversa arrisca-se a ser outra explicação de tudo, longa e pouco útil.

Experimenta, 20 segundosEm 4(x − 1) = 20, escreveste 4x − 4 = 20 e paraste. Como transformavas «não percebo» numa pergunta concreta?Ver a resposta

Por exemplo: «Cheguei a 4x − 4 = 20. Quero deixar o x sozinho, mas não sei o que fazer ao −4.» A partir daí, somas 4 aos dois membros, 4x = 24, e divides por 4, x = 6. Confirmação: 4(6 − 1) = 20.

A Explica meteu-se na conversa«Aquilo ali» é uma ótima localização para uma meia perdida. Para a equação, aponta-me a linha.

Mostra a tentativa, mesmo incompleta

Tens 2(x + 3) = 14 e escreveste 2x + 6 = 14. Depois paraste. Isto já diz muito: a distribuição está feita e está certa. A dúvida parece estar em como isolar o x.

Em vez de pedires «resolve-me isto», experimenta: «Cheguei a 2x + 6 = 14. Sei que quero deixar o x sozinho, mas não sei o que fazer ao 6.» Quem te ajuda pode responder a essa passagem, sem repetir a explicação desde o início.

Mostrar uma tentativa errada também conta. Um erro à vista é muito mais fácil de ajudar do que uma página em branco, porque mostra o raciocínio que seguiste e o sítio onde descarrilou.

Se não chegaste a escrever nada, mostra o que pensaste: «Acho que tenho de começar pelos parênteses, mas não sei se posso.» Até uma hipótese insegura dá a quem te ajuda um ponto de partida, e muitas vezes já estava certa.

30 segundos. A tua vez.Sem nota, sem cronómetro

Chegaste a 3x + 6 = 18. Qual destas perguntas ajuda mais a desbloquear?

Sem pressa. Eu espero, sou muito boa nisso.

No quadro, a Explica fica com o exercício escrito e espera que carregues em enviar. Há perguntas grátis para experimentar.

Não ler, não perceber, não saber continuar

São três dificuldades diferentes. Podes não conseguir ler um símbolo. Podes ler a linha, mas não perceber porque é válida. Ou podes perceber tudo até ali e não saber escolher o passo seguinte.

Diz qual delas está mais perto do que sentes. «O que quer dizer este símbolo?» pede uma leitura. «Não percebo porque multiplicaste os dois termos» pede uma explicação sobre a distribuição. «Não sei o que fazer a seguir» pede ajuda para escolher uma operação.

Nenhuma destas perguntas pede a resolução inteira. E ainda bem: uma resposta à tua dúvida exata ensina mais do que uma resolução completa que segues sem tropeçar e esqueces logo a seguir.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

Richard Newman (2002) descreve o pedido de ajuda como uma estratégia de quem gere bem a própria aprendizagem, desde que seja adaptativo: pedir quando é preciso, a quem pode ajudar, e pedir pistas ou explicações que permitam continuar sozinho, em vez de pedir só a resposta para despachar o trabalho.

Noreen Webb (1991) reviu a investigação sobre alunos de Matemática a trabalhar em pequenos grupos. Entre os aspetos que mais contavam para a aprendizagem estavam o grau de elaboração da ajuda dada e recebida e se essa ajuda respondia à necessidade concreta de quem a pedia.

Experimenta, 20 segundosClassifica estas três dúvidas: «o que é este ≤?», «porque é que o 3 passou a multiplicar?», «e agora, divido ou subtraio?».Ver a resposta

A primeira é de leitura: não conheces o símbolo, que quer dizer «menor ou igual». A segunda é de compreensão: lês a linha, mas não percebes porque é válida. A terceira é de continuação: percebes até ali, mas não sabes escolher o passo seguinte.

Uma referência precisa poupa voltas à conversa

No quadro, assinala a linha ou rodeia a zona que te baralha. Se houver vários exercícios, diz qual é e qual é a passagem. «Nesta linha, porque é que fica +6?» encontra-se num segundo. «Não percebi aquilo» obriga a uma caça ao tesouro.

Quando escreves por mensagem, copia a expressão e a tua tentativa. Se estiveres a falar, confirma que a pergunta foi percebida antes de avançar. Se um sinal ou um expoente se perder pelo caminho, escreve essa parte. O objetivo é trabalhar a matéria, não discutir com o microfone.

Isto vale com um professor, com um colega e com a Explica. Quanto mais exata for a pergunta, mais a resposta se ajusta ao que precisas e menos tempo se gasta a adivinhar.

A pista só acaba quando a consegues usar

No nosso exemplo, subtrair 6 aos dois membros deixa 2x = 8. Dividindo ambos por 2, obténs x = 4. Verificas na equação de partida: 2(4 + 3) = 2 × 7 = 14.

A seguir, tenta 3(x + 2) = 18 com menos ajuda. Se conseguires escolher a operação e explicar porquê, a conversa fez avançar o teu trabalho. Se ainda não conseguires, tens uma nova pergunta concreta, e isso também é progresso.

Repara que a pergunta boa não te deixou à espera de uma solução feita. Deu-te um empurrão do tamanho certo e devolveu-te a caneta. É isso que distingue uma ajuda que ensina de uma que só despacha o exercício.

Não falhaste a aula por não saberes tudo. Encontraste o passo seguinte, e é assim que se aprende quase tudo: uma dúvida bem feita de cada vez.

Perguntas frequentes

Como faço uma boa pergunta ao professor?

Mostra o exercício, a tua tentativa e a primeira passagem que não consegues justificar. Diz se não percebes um símbolo, porque é que uma linha é válida ou qual é o passo seguinte. Assim a resposta vai direta ao que precisas.

E se não souber sequer o que perguntar?

Começa por escrever a primeira linha que consegues, mesmo sem certeza de estar certa, e pergunta sobre a seguinte. Se não conseguires escrever nada, diz o que pensaste fazer. Qualquer ponto de partida ajuda mais do que «não percebo nada».

Pedir ajuda é sinal de que sou mau aluno?

Não. Pedir ajuda quando é preciso, a quem pode ajudar, e pedir pistas em vez da resposta é uma estratégia de quem gere bem a própria aprendizagem. O que pouco ajuda é pedir só a resposta para despachar.

Posso fazer estas perguntas à Explica?

Podes. Na ExplicaJá, a Explica trabalha contigo no quadro: mostra-lhe a linha onde paraste e pede uma pista sobre essa passagem. Quanto mais concreta for a pergunta, mais útil é a resposta.

De onde vem o que dissemos

  1. Newman, R. S. (2002). How self-regulated learners cope with academic difficulty: The role of adaptive help seeking. Theory Into Practice, 41(2), 132–138.Descreve o pedido de ajuda adaptativo como estratégia de autorregulação, por oposição a pedir só a resposta; usamos na secção sobre os três tipos de dúvida e nas perguntas.
  2. Webb, N. M. (1991). Task-related verbal interaction and mathematics learning in small groups. Journal for Research in Mathematics Education, 22(5), 366–389.Revisão sobre a interação em pequenos grupos de Matemática que destaca a elaboração da ajuda e a sua adequação à necessidade de quem pede.

No currículo: Matemática, 8.º ano. Equações do 1.º grau.

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