ExplicaJá
Para os pais

Já não se lembra da fórmula resolvente? Pode ajudar na mesma.

Não precisa de saber a matéria para ajudar. A investigação aponta o que conta mais: conversar, organizar, elogiar o esforço e fazer boas perguntas.

Equipa ExplicaJá5 min de leitura

EM CASA, SEM SABER A MATÉRIAExplica-me como pensaste.Primeiro isolei o x...Espera, aqui troquei o sinal.
Dois balões de conversa no quadro: «Explica-me como pensaste» e a resposta do aluno, passo a passo.

O seu filho aparece na cozinha com o caderno de Matemática e pergunta como se resolve uma equação do 2.º grau. Lembra-se vagamente de uma fórmula com uma raiz quadrada e um «b ao quadrado menos quatro a c», e pouco mais. Ou então é a meiose, para o teste de Biologia e Geologia do 11.º ano, e a última vez que pensou em cromossomas homólogos foi noutro século. Se isto lhe soa familiar, temos uma boa notícia: a investigação sugere que a ajuda que mais conta nestas idades não depende de saber a matéria.

O que mais ajuda não vem no manual

Nancy Hill e Diana Tyson reuniram 50 estudos sobre o envolvimento dos pais nos anos que correspondem, mais ou menos, ao nosso 6.º, 7.º e 8.º anos. No conjunto, o envolvimento dos pais estava associado a melhores resultados escolares, com uma exceção curiosa: a ajuda direta nos trabalhos de casa. A forma de envolvimento com a associação positiva mais forte foi aquilo a que as autoras chamam socialização académica.

O nome é pomposo, mas a coisa é simples. É falar com o seu filho sobre o valor da escola e as expectativas que tem para ele, ligar o que ele aprende ao que gostaria de fazer, conversar sobre maneiras de estudar e fazer planos para o futuro em conjunto. As autoras explicam que, no início da adolescência, os filhos querem mais autonomia, e este tipo de conversa acompanha essa vontade em vez de lutar contra ela.

Na prática, pode ser uma pergunta ao jantar («Para que é que achas que serve isso que estão a dar em Química?») ou uma conversa no carro sobre o curso que um primo está a tirar. Ninguém precisa de se lembrar da fórmula resolvente para isto. Uma ressalva honesta: estes estudos são sobretudo norte-americanos e medem associações, não provam causa e efeito. Mas a direção é consistente e fácil de experimentar.

A Explica meteu-se na conversaA fórmula resolvente fica comigo. A pergunta «como é que pensaste?» é toda sua.

Nos trabalhos de casa, organize mais e resolva menos

Erika Patall, Harris Cooper e Jorgianne Robinson fizeram uma síntese da investigação sobre os pais e os trabalhos de casa. Quando os pais recebiam formação sobre como ajudar, os filhos completavam mais TPC e tinham menos problemas com eles. Já a relação entre envolvimento e notas variava com a idade: positiva nos primeiros anos de escola e no secundário, negativa nos anos intermédios, e negativa também na Matemática. A estratégia com associação mais forte foi estabelecer regras, como a hora e o sítio para estudar.

Atenção à leitura destes números. Quando os pais ajudam mais, pode ser simplesmente porque o filho está com mais dificuldades, e os estudos correlacionais não conseguem separar uma coisa da outra. Ainda assim, a mensagem prática é clara: a sua força está em organizar o contexto, não em resolver o exercício. Um horário combinado, uma mesa arrumada, o telemóvel noutra divisão durante meia hora. Isto está ao alcance de qualquer pai ou mãe, saiba ou não o que é uma meiose.

30 segundos. A tua vez.Sem nota, sem cronómetro

O seu filho mostra um teste com nota abaixo do que esperava e diz: «Não tenho jeito para isto.» Qual destas respostas está mais de acordo com a investigação?

Sem pressa. Eu espero, sou muito boa nisso.

No quadro, a Explica fica com o exercício escrito e espera que carregues em enviar. Há perguntas grátis para experimentar.

A forma de ajudar pesa tanto como a quantidade

Eva Pomerantz e colegas reviram a investigação sobre o envolvimento dos pais e chegaram a uma conclusão que está no próprio título do artigo: mais nem sempre é melhor. O que faz a diferença é a forma. O envolvimento tende a ajudar quando apoia a autonomia, se foca no esforço, decorre num clima positivo e transmite confiança nas capacidades do filho. Tende a prejudicar quando é controlador, à base de ordens e pressão, quando se foca na inteligência como coisa fixa ou quando vem carregado de irritação.

Os autores notam ainda que os filhos com mais dificuldades e menos confiança são os mais sensíveis a esta diferença. E há uma coisa que qualquer pai conhece: em casa, ao fim do dia, juntam-se um filho frustrado com o exercício e um adulto frustrado por não conseguir ajudar. Se já viveu uma noite de TPC que acabou com vozes levantadas, não está sozinho. Felizmente, a forma treina-se, e a noite seguinte é outra tentativa.

Elogie o caminho, não o rótulo

Num conjunto de seis estudos, Claudia Mueller e Carol Dweck deram problemas a crianças do equivalente ao nosso 5.º ano. Depois de uma primeira ronda bem-sucedida, umas ouviram «Deves ser muito inteligente a resolver isto» e outras «Deves ter-te esforçado muito». A seguir vinham problemas mais difíceis. Depois de falharem, as crianças elogiadas pela inteligência mostraram menos vontade de continuar, gostaram menos da tarefa e tiveram pior desempenho. Também descreviam a inteligência como algo fixo, e num dos estudos 38% delas exageraram a própria pontuação ao contá-la a crianças que não conheciam, contra 13% das elogiadas pelo esforço.

São estudos de laboratório com crianças mais novas do que os seus filhos adolescentes, e por isso convém não esperar milagres de uma frase. Mas a ideia é fácil de aplicar. Em vez de «És um génio a Matemática», experimente «Gostei de veres se a solução batia certo, substituindo na equação». Elogiar o que ele fez, como verificou, quanto tempo insistiu ou a estratégia que mudou, dá-lhe algo que pode repetir no próximo teste.

Pergunte em vez de responder

Quando aparecer uma dúvida, fazem mais falta boas perguntas do que respostas. «Explica-me como pensaste.» «Em que passo é que encravaste?» «O que é que o enunciado pede, por palavras tuas?» «Como é que sabes que está certo?» Estas perguntas deixam a caneta na mão do seu filho e o problema na cabeça dele, que é onde tem de estar no dia do teste.

Há uma cena que se repete no quadro da ExplicaJá: a meio da explicação, o aluno para e diz «Espera, enganei-me aqui». Ninguém lhe deu a resposta; bastou ter de a explicar a alguém. E se a dúvida for mesmo técnica, não tem de a resolver sozinho. A Explica pode mostrar a resolução passo a passo no quadro e há professores verificados para os momentos em que é preciso mais. A si cabe-lhe a parte que nenhuma fórmula substitui: o interesse, a conversa e a confiança de que ele é capaz de aprender.

Perguntas frequentes

Como posso ajudar o meu filho nos estudos se não sei a matéria?

Converse com ele sobre a escola, o valor do que aprende e os planos para o futuro, ajude a organizar horários e espaço de estudo, e faça perguntas em vez de dar respostas. Uma meta-análise de 50 estudos concluiu que este tipo de envolvimento, a chamada socialização académica, é o que está mais associado a bons resultados no início da adolescência. Nada disto exige saber a matéria.

Devo ajudar o meu filho a fazer os trabalhos de casa?

Ajudar a organizar costuma ser mais útil do que ajudar a resolver. Nas sínteses da investigação, estabelecer regras (hora, sítio, sem distrações) teve uma associação mais forte com os resultados do que outras formas de ajuda, e a ajuda direta nos anos intermédios surgiu associada a resultados piores. Como os estudos são correlacionais, isto pode refletir em parte que os alunos com mais dificuldades recebem mais ajuda.

É mau dizer ao meu filho que é inteligente?

Não é grave, mas há elogios mais úteis. Em estudos com crianças do 5.º ano, as que foram elogiadas pela inteligência mostraram menos vontade de persistir depois de falhar do que as elogiadas pelo esforço. Elogiar a estratégia, a persistência ou a forma como verificou a resposta dá ao seu filho algo que ele pode repetir.

Controlar o estudo do meu filho ajuda ou prejudica?

Depende da forma. A investigação revista por Pomerantz e colegas indica que o envolvimento que apoia a autonomia tende a ajudar, enquanto o envolvimento controlador, à base de ordens e pressão, tende a prejudicar. Combinar regras em conjunto e acompanhar com interesse funciona melhor do que vigiar cada minuto.

De onde vem o que dissemos

  1. Hill, N. E., & Tyson, D. F. (2009). Parental involvement in middle school: A meta-analytic assessment of the strategies that promote achievement. Developmental Psychology, 45(3), 740–763.Meta-análise de 50 estudos: o envolvimento parental associa-se a melhores resultados, exceto a ajuda nos TPC, e a socialização académica tem a associação mais forte. É a base da primeira secção.
  2. Patall, E. A., Cooper, H., & Robinson, J. C. (2008). Parent involvement in homework: A research synthesis. Review of Educational Research, 78(4), 1039–1101.Mostrou que a relação entre ajuda nos TPC e resultados varia com a idade e a disciplina, e que estabelecer regras tem uma associação mais forte do que outras estratégias. Usamo-la na secção sobre trabalhos de casa.
  3. Pomerantz, E. M., Moorman, E. A., & Litwack, S. D. (2007). The how, whom, and why of parents' involvement in children's academic lives: More is not always better. Review of Educational Research, 77(3), 373–410.Revisão que defende que a forma do envolvimento (autonomia ou controlo, esforço ou capacidade, clima positivo ou negativo) determina em grande parte se ajuda. Sustenta a terceira secção.
  4. Mueller, C. M., & Dweck, C. S. (1998). Praise for intelligence can undermine children's motivation and performance. Journal of Personality and Social Psychology, 75(1), 33–52.Seis estudos com alunos do 5.º ano: depois de falhar, os elogiados pela inteligência mostraram menos vontade de persistir e tiveram pior desempenho do que os elogiados pelo esforço. É a base da secção sobre elogios e do desafio.
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