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Estudar para testes

Fecha o caderno. Vamos ver o que ficou.

Reler dá a sensação de saber. Tentar lembrar sem olhar mostra o que ficou de facto. Um método simples, com a fotossíntese como exemplo.

Equipa ExplicaJá5 min de leitura

Uma aluna completa um esquema da fotossíntese: a luz e a água chegam à folha, o CO₂ entra, o O₂ sai e uma legenda está ainda por preencher.
Uma aluna completa um esquema da fotossíntese: a luz e a água chegam à folha, o CO₂ entra, o O₂ sai e uma legenda está ainda por preencher.

Sabes que a definição está no canto de cima da página, ao lado da seta verde, e até te lembras da cor do marcador. Fechas o caderno e a frase não aparece. Não quer dizer que estudaste mal: quer dizer que a página te era familiar, e ser familiar não é o mesmo que saber.

Conhecer a página não é conhecer a resposta

Reler dá uma sensação boa. As frases parecem conhecidas, os esquemas fazem sentido e tudo flui. O problema é que essa fluência te diz que reconheces a matéria quando ela está à frente, e o teste vai pedir-te que a produzas quando ela não está.

Há uma forma simples de tirar a dúvida: fecha o caderno e responde a uma pergunta sem consultar. Pode ser explicar um processo, desenhar um esquema ou justificar uma escolha. O objetivo não é dar-te uma nota. É ver o que consegues produzir sozinho.

Se a resposta sair, ótimo, ficou. Se sair a meio, também é informação útil: sabes onde está o buraco, em vez de achares vagamente que «tens de rever Biologia».

Experimenta, 20 segundosAntes de continuares, sem procurar: o que entra e o que sai de uma folha na fotossíntese?Ver a resposta

Entram dióxido de carbono, água e energia luminosa. Forma-se matéria orgânica, como a glicose, e é libertado oxigénio. Se só te lembraste de metade, acabaste de fazer o exercício deste artigo.

A Explica meteu-se na conversaFechaste o caderno e ficou tudo em branco? Ótimo, já sabemos por onde começar. E não vale desenhar só a capa.

Começa por uma pergunta que caiba numa tentativa

«Sei Biologia?» é uma pergunta grande demais para uma tentativa. «Que entradas e saídas consigo identificar num esquema simples da fotossíntese?» já tem por onde começar.

Desenha uma folha e marca à volta dela a luz, a água, o dióxido de carbono e o oxigénio. Num esquema simplificado, a fotossíntese usa energia luminosa, água e dióxido de carbono para produzir matéria orgânica, libertando oxigénio. Deixa em branco o que não souberes. O espaço vazio também conta.

As perguntas boas para isto pedem relações e não frases decoradas. Porque é que a planta precisa de luz? De onde vem o oxigénio libertado? O que acontece à matéria orgânica que se forma? Cada uma obriga-te a ligar ideias, e é essa ligação que o teste vai procurar.

Uma regra prática: a pergunta deve caber num post-it e a resposta numa folha pequena. Se precisares de mais do que isso, a pergunta ainda é grande demais e vale a pena parti-la em duas.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

Henry Roediger e Jeffrey Karpicke (2006) pediram a estudantes que lessem textos curtos. Uns releram-nos; outros tentaram recordá-los sem olhar. Cinco minutos depois, quem releu lembrava-se de mais. Dois dias e uma semana depois, era ao contrário: quem tinha tentado recordar lembrava-se bastante mais. E os que releram estavam convencidos de que se iam lembrar melhor.

30 segundos. A tua vez.Sem nota, sem cronómetro

Num esquema simplificado da fotossíntese, qual destes entra no processo?

Sem pressa. Eu espero, sou muito boa nisso.

No quadro, a Explica fica com o exercício escrito e espera que carregues em enviar. Há perguntas grátis para experimentar.

A consulta vem depois, e tem um trabalho concreto

Agora abre os apontamentos e compara com o teu esquema. Acrescenta o que faltou com outra cor e corrige uma ligação de cada vez. Não troques a tua tentativa por uma página copiada: é a tentativa que te mostra onde estava a dúvida.

Se confundiste uma entrada com uma saída, escreve uma pergunta sobre essa diferença. Se faltou um conceito, procura onde ele se liga ao resto. É nesta comparação que o espaço em branco se transforma numa lista do que estudar a seguir.

Não saltes esta parte. Tentar lembrar sem depois confirmar pode deixar um erro instalado com toda a confiança. O valor está no par: primeiro a tentativa, logo a seguir a correção.

Repara também no que acertaste. Se uma parte saiu sem esforço, não precisa de mais voltas por agora. O tempo rende mais onde ficou o espaço em branco.

O que diz a investigaçãoDe onde vem esta ideia, para quem quer saber mais

Jeffrey Karpicke e Janell Blunt (2011) compararam a prática de recordar com a construção de mapas de conceitos a partir de textos de ciências. Uma semana depois, quem tinha praticado a recordar saiu-se melhor, incluindo em perguntas que pediam inferências e até quando a prova final era desenhar um mapa de conceitos.

A revisão de John Dunlosky e colegas (2013) sobre técnicas de estudo classificou a prática de testes como uma das técnicas de maior utilidade, ao lado do estudo distribuído no tempo. Reler e sublinhar ficaram entre as de utilidade baixa.

Volta à ideia noutro dia, com outra pergunta

Uns dias depois, tenta reconstruir o esquema sem olhar para a versão corrigida. Não precisas de repetir a frase palavra por palavra. Precisas de manter as relações e os termos essenciais.

Também ajuda mudar a pergunta: «Que informação falta nesta imagem?», «Como explicarias isto a um colega?», «O que acontece se tirarmos a luz?». Se só consegues responder quando a pergunta é igual à do caderno, ainda estás a reconhecer e não a saber.

Estas voltas curtas e espaçadas rendem mais do que uma tarde inteira na véspera. Dez minutos hoje, dez daqui a três dias e dez antes do teste chegam muitas vezes para notares a diferença.

Se estudares com alguém, troquem perguntas em vez de trocarem resumos. Explicar em voz alta a um colega é outra forma de recordar sem olhar, e as dúvidas dele mostram-te o que ainda não está claro na tua cabeça.

Experimenta, 20 segundosMuda a pergunta: se uma planta ficar dias às escuras, continua a libertar oxigénio pela fotossíntese?Ver a resposta

Não. Sem energia luminosa, a fotossíntese para. A planta continua viva e a respirar, mas a respiração consome oxigénio em vez de o libertar. Se tiveste de pensar um bocadinho, foi esse esforço que te ajudou a fixar.

Não transformes cada falha numa nota

Esta tentativa serve para orientar o estudo, não para te julgares. Se não te lembras de algo, anota a dúvida, consulta e volta a tentar. Não precisas de fingir que sabes, nem de castigar cada hesitação.

Na ExplicaJá, podes desenhar o esquema no quadro e pedir à Explica uma pista sobre a parte que falta, em vez da resposta inteira. A tentativa inicial fica à vista e mostra o caminho entre o que lembravas e o que acabaste de esclarecer.

Fechar o caderno custa mais do que reler. Parece pior enquanto o fazes, porque te mostra o que falta. É precisamente por isso que funciona.

Perguntas frequentes

O que é a recuperação ativa?

É estudar a tentar lembrar a matéria sem a ter à frente: responder a perguntas, explicar em voz alta ou desenhar um esquema de memória. Depois confirma-se com os apontamentos e corrige-se o que faltou.

Reler os apontamentos não chega?

Reler ajuda a perceber a matéria pela primeira vez, mas como forma de rever rende pouco: dá a sensação de que se sabe porque as páginas parecem conhecidas. Tentar lembrar sem olhar mostra o que ficou de facto e ajuda a reter durante mais tempo.

Quanto tempo devo esperar para voltar a testar-me?

Não há um número mágico, mas espaçar ajuda: tentar no próprio dia, voltar uns dias depois e outra vez perto do teste costuma render mais do que fazer tudo de seguida na véspera.

E se não me lembrar de nada?

Então já sabes por onde começar. Consulta os apontamentos, corrige a tentativa e volta a tentar mais tarde. Uma falha numa tentativa de estudo não conta para nota e torna a revisão seguinte mais útil.

De onde vem o que dissemos

  1. Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255.Mostra que recordar sem olhar supera a releitura ao fim de dois dias e de uma semana, embora quem relê se sinta mais confiante; usamos na secção sobre a pergunta pequena.
  2. Karpicke, J. D., & Blunt, J. R. (2011). Retrieval practice produces more learning than elaborative studying with concept mapping. Science, 331(6018), 772–775.Compara a prática de recordar com os mapas de conceitos em textos de ciências e encontra vantagem para a recordação, mesmo em perguntas de inferência; usamos na secção sobre a consulta.
  3. Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J., & Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4–58.Revisão de dez técnicas de estudo que dá utilidade alta à prática de testes e ao estudo espaçado e utilidade baixa à releitura e ao sublinhado.

No currículo: Biologia e Geologia, 10.º ano. Obtenção de matéria.

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